Não vai ter emprego para todos em alguns anos! Será?
*Paulo Milet (com apoio Gemini)
É fascinante observar como o mundo mudou em dois séculos. Saímos de uma economia predominantemente agrária e manual para uma era de inteligência artificial e hiperconectividade.
Para comparar esses períodos, provoquei o GEMINI para utilizar dados baseados em estimativas históricas de 100 e 200 anos atrás e projeções atuais para 2025 e fui fazendo perguntas e provocações para análise desse tema.
Esse artigo vale também para o estudo da produtividade. Todas as pesquisas foram feitas pelo Gemini (chequei com Grok e Chatgpt). Sem eles eu teria gasto um mês. Com eles foram algumas horas em 2 dias!
Fiz a comparação correlacionando a população, o PIB mundial e consequentemente a renda per capita de modo a entender como se deu o crescimento de cada um desses fatores.
Os valores de PIB e Renda são ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC) em dólares internacionais constantes para permitir uma comparação real.
Panorama Histórico: 1825 – 2025
| Ano | População Mundial (Aprox.) | PIB Mundial (Trilhões de USD) | Renda Per Capita Média (USD) | Marco Econômico |
| 1825 | 1,1 bilhão | $1,2 | ~$1.100 | Início da Revolução Industrial (Reino Unido) |
| 1875 | 1,4 bilhão | $2,5 | ~$1.800 | Expansão da Ferrovia e Segunda Revolução Industrial |
| 1925 | 2,0 bilhões | $7,0 | ~$3.500 | Era do consumo de massa (pré-Grande Depressão) |
| 1975 | 4,0 bilhões | $35,0 | ~$8.700 | Milagre econômico pós-guerra e crise do petróleo |
| 2025 | 8,2 bilhões | $180,0+ | ~$22.000 | Economia Digital, Transição Energética e IA |
Pontos chave:
1. A Explosão da Renda Per Capita – O dado mais impressionante não é apenas o aumento da população, mas o fato de que a riqueza cresceu muito mais rápido que o número de pessoas. Entre 1825 e 2025, a população aumentou cerca de 7,5 vezes. No mesmo período, o PIB mundial aumentou cerca de 150 vezes! Isso significa que, em média, um ser humano hoje é 20 vezes mais produtivo/rico do que há 200 anos!
2. 1825 a 1925: O Século do Carvão e do Aço – Em 1825, a maior parte do mundo vivia no que chamamos de “armadilha malthusiana” (subsistência). Com a industrialização, a renda começou a descolar do crescimento populacional. Em 1925, o mundo já era urbano e conectado pelo rádio e pelo telégrafo, e a produtividade agrícola começou a disparar.
3. 1975: O Ápice do Crescimento Populacional – Este foi o período de maior aceleração demográfica da história. A medicina moderna e a Revolução Verde permitiram que a população dobrasse em tempo recorde (de 2 para 4 bilhões entre 1925 e 1975). E o PIB mundial quintuplicou!
4. 2025: A Era da Grande Divergência e Convergência – Hoje, o PIB mundial ultrapassa a marca simbólica dos 100 trilhões de dólares nominais (e cerca de 180 trilhões em PPC). De 1975 a 2025 a população dobrou novamente e o PIB quintuplicou novamente! Embora a desigualdade entre países ainda seja um desafio, bilhões de pessoas saíram da pobreza extrema na China e na Índia, elevando a média da renda per capita global para níveis históricos.
E o melhor e mais impressionante é que, enquanto a riqueza mundial e o PIB per capita explodiram, o tempo que passamos trabalhando para gerá-la despencou. O Brasil, que em 1825 ainda era um Império agrário e escravocrata, passou por uma das transformações estruturais mais intensas do mundo ocidental.
Aqui está o comparativo atualizado com as taxas de crescimento e a evolução da jornada de trabalho no Brasil:
Evolução Global: Riqueza vs. Esforço
| Ano | Crescimento PIB (vs. período anterior) | Renda Per Capita (PPC) | Carga Horária Média (Anual/Trabalhador) |
| 1825 | — | ~$1.100 | ~3.000+ horas (6 dias/semana, 10-12h/dia) |
| 1875 | +108% | ~$1.800 | ~2.900 horas |
| 1925 | +180% | ~$3.500 | ~2.400 horas (Início da jornada de 8h em países centrais) |
| 1975 | +400% | ~$8.700 | ~1.900 horas |
| 2025 | +414% | ~$22.000 | ~1.650 horas (Média OCDE/Global) |
Destaques Brasileiros:
1825 (Império): Economia baseada em café e açúcar. A renda per capita era cerca de $700, abaixo da média mundial. A “carga horária” para a maioria da força de trabalho (escravizados) era exaustiva, superando 14h diárias;
1875 (Final do Império): O Brasil começa a se integrar ao comércio global. A renda sobe para cerca de $950;
1925 (República Velha): Início da transição urbana. Renda per capita de $1.600. A carga horária nas fábricas de SP era de aproximadamente 60h semanais;
1975 (Milagre Econômico): O “pulo do gato”. O Brasil crescia a taxas de 10% ao ano. A renda per capita saltou para cerca de $8.500 (quase igualando a média mundial da época);
2025 (Atualidade): Projeção de renda per capita em torno de $18.500 (PPC). A carga horária média semanal é de aproximadamente 39h/semana, refletindo uma produtividade que ainda luta para alcançar os níveis dos países desenvolvidos.
Destacamos 3 observações Importantes:
A Grande Eficiência: Em 1825, trabalhava-se quase o dobro de horas de hoje para produzir uma fração mínima de riqueza. O avanço tecnológico (máquinas, eletricidade, software) permitiu que a humanidade trocasse esforço físico por capital intelectual.
O Salto de 1975: Este período marca o maior crescimento percentual do PIB global (+400%) e brasileiro. Foi a era da “Grande Aceleração”, onde a tecnologia industrial chegou ao seu ápice antes da revolução digital.
Carga Horária vs. Renda: Existe uma correlação inversa clara: países que atingem rendas per capita mais altas tendem a trabalhar menos horas totais, pois a alta tecnologia torna cada hora de trabalho muito mais valiosa.
Vamos olhar agora o ponto central da teoria do “Fim do Trabalho” (ou da transição para uma economia de pós-escassez). Historicamente, cada salto tecnológico foi recebido com medo do desemprego em massa, mas acabou resultando em novos setores da economia e mais tempo livre.
Constatamos a migração do esforço humano do setor primário (agricultura) e secundário (indústria) para o terciário (serviços) e o emergente setor quaternário expandido (conhecimento, entretenimento e criatividade).
Talvez já seja hora de deixar o terciário só com comércio, deixar serviços (incluindo logística e transportes) no quaternário e criamos um quinternário (?) com conhecimento, entretenimento, lazer, cultura, saúde, esportes e criatividade em geral.
Pedi ao GEMINI projeções para 2075, mas acho que a aceleração fará isso acontecer até antes de 2050. 2040 já está logo ali! Com a diminuição da taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida, os 10 (ou 9,5) bilhões de habitantes tendem a se estabilizar até 2040.
Projeção 2075 (Talvez já em 2050!): A Era da Pós-Automação
Nesta projeção, consideramos que a IA e a robótica atingiram a maturidade, assumindo não apenas tarefas manuais, mas também a maior parte da lógica administrativa e técnica.
| Indicador | 2025 (Base) | 2075 (Projeção) | Mudança Relativa |
| População Mundial | 8,2 bilhões | ~10,2 bilhões* | +24% (Estabilização) |
| PIB Mundial (PPC) | $180 Tri | ~$850 Tri | +370% |
| Renda Per Capita (Média) | ~$22.000 | ~$83.000 | +277% |
| Carga Horária Anual | ~1.650 horas | ~900 – 1.100 horas | -35% a -45% |
| Semana de Trabalho | 40h – 44h | 20h – 25h | Redução drástica |
*Dados baseados em projeções da ONU que apontam para um pico populacional seguido de declínio ou estabilização após 2080 (acredito que será antes disso).
O Brasil em 2075: O Desafio da Produtividade
Renda Per Capita: Poderia saltar de $18.500 para cerca de $55.000 – $65.000 (PPC), alcançando o padrão atual de países europeus desenvolvidos e Carga Horária: O Brasil historicamente trabalha muito em horas, mas produz pouco por hora. Em 2075 (ou já em 2050 ou 2040!), a tendência é a convergência para a Semana de 4 Dias ou jornadas de 5h a 6h diárias (25 a 30h/semana, ou menos), focadas em serviços de cuidado, lazer, criatividade e turismo tecnológico.
Atenção: Com o trabalho cada vez mais “anyplace” estatísticas por país podem ficar bastante inverídicas.
Considerando o que os economistas chamam de Economia da Experiência, vejam como a distribuição do tempo humano deve (ou poderia) se reorganizar:
Automação de Subsistência: A produção de alimentos, energia e bens de consumo será quase 100% automatizada. O custo marginal desses itens tende a cair, permitindo que a “sobrevivência” seja barata;
Trabalho “Humano-Cêntrico” – O valor migra para o que a IA não pode substituir (ou que não queremos que substitua), sendo: Cultura e Esporte, Atletas e artistas se tornam os novos “trabalhadores” centrais. O entretenimento deixa de ser lazer para ser o motor do PIB; Turismo e Exploração, com mais tempo livre e transporte ultra-eficiente, o deslocamento humano vira uma atividade econômica primária; Economia do Cuidado, Saúde mental, educação personalizada e interações sociais ganham peso econômico sem precedentes.
Até aqui, eu diria que essas tendências acima são irreversíveis e vão acontecer de um modo ou outro, talvez até um pouco mais rápido (!). A partir daqui, será necessário um “Ajuste de Rota: O Renda Básica Universal (RBU)” – Para que esse cenário de 2075 (ou antes!) funcione sem o “caos do desemprego”, a estrutura social precisará mudar.
Se a IA e a Tecnologia em geral, produzem a riqueza, mas não consomem, o sistema precisa distribuir essa produtividade. É provável que em 2050/2075 o conceito de “salário” por hora seja substituído por dividendos de produtividade nacional ou Rendas Básicas robustas, permitindo que as pessoas escolham suas “atividades leves” sem o medo da fome e desabrigo. Empresas de uma pessoa só (com vários agentes IA) e sem escritórios, já estão sendo incentivadas na China!
Vamos verificar que, embora a carga de trabalho caia, a complexidade das tarefas humanas aumentará. Em 1825, usávamos os braços; em 1975, a técnica; em 2075, usaremos a curadoria, os soft skills e a conexão humana.
E ainda tem a SUSTENTABILIDADE!
A sustentabilidade deixará de ser um “departamento” das empresas ou uma pauta ativista para se tornar a própria métrica de viabilidade econômica entre hoje e 2050.
Se olharmos para os dados que discutimos (PIB e População), o modelo de crescimento de 1825 a 1975 foi baseado na extração linear (tirar, usar, descartar). De agora até 2050, o mundo entra na era da Economia Regenerativa.
E por que a Sustentabilidade deve ser Prioridade? Vamos ver três pontos:
A Barreira do Capital (ESG e Risco) – Até 2050, trilhões de dólares em investimentos globais serão direcionados exclusivamente para tecnologias limpas. Países e empresas que não se descarbonizarem ficarão sem acesso a crédito. O Brasil, com sua matriz energética limpa e biodiversidade, tem a chance de ser a “Arábia Saudita das Energias Renováveis”.
A conexão entre Energia e IA – A automação e a IA que discutimos consomem quantidades massivas de eletricidade. Para que a projeção de 2075 (com menos trabalho e mais riqueza) se concretize, precisamos de energia barata e infinita. Isso só é possível via fontes alternativas, como fusão nuclear, solar, hidrogênio verde e eólica de alta escala. Sem sustentabilidade energética, a automação para.
Mudança na Estrutura de Consumo – Como mencionamos o crescimento do turismo, lazer e saúde, depende diretamente da preservação ambiental. Ninguém pagará por “atividades leves” em um mundo com ecossistemas colapsados. O “Capital Natural” passará a ser contabilizado no PIB.
A tese sobre o aumento de atividades de cultura, saúde, lazer e esporte se conecta perfeitamente aqui. O Trabalho Verde (restauração ambiental, gestão de recursos, engenharia climática) tende a ser mais gratificante e menos “pesado” que o trabalho industrial do século XX.
Se não priorizarmos a sustentabilidade agora, o crescimento do PIB que projetamos para 2050/2075 será consumido por custos de mitigação de desastres, em vez de ser revertido em bem-estar e tempo livre.
Para encerrar, coloco aqui uma frase do clássico UTOPIA de Thomas Morus (ou More), na sua ilha ideal:
“Eles não fatigam os trabalhadores com um trabalho contínuo, como se fossem animais de carga, o que seria uma tortura pior que a da escravidão… Os utopianos dividem o dia e a noite em vinte e quatro horas e destinam apenas seis horas ao trabalho.”
Podemos incluir na “mão de obra” a IA e Robôs e Automação e IoT e Drones e Impressão 3d (nano e macro) e bioeconomia e gêmeos digitais e outras tecnologias trabalhando junto aos humanos!
O objetivo principal do lazer não é a vadiagem. Morus escreve que o tempo restante deve ser usado para o cultivo do espírito, como a leitura, a música e o estudo, pois é nisso que reside a verdadeira felicidade.
Completo incluindo Turismo, Esportes, Saúde e Cultura em geral…
Que tal? A pergunta do título foi respondida? Será que nossos governantes (de todo o planeta) serão capazes de enxergar esse potencial e esquecer o “modo guerra” para obter a felicidade e bem-estar do seu povo?
(*) Paulo Milet é empresário, consultor em gestão e EaD, formado em Matemática (UnB) e pós em Adm. Publica (FGV RJ). É Diretor da Riosoft (agente Softex no RJ) e Coordenador do Projeto Aranduland, uma cidade virtual 3d focada nos ODS da ONU
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