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Paulo Barreira Milet

O conceito de Cidades Inteligentes (SmartCities) passa sempre pela distribuição de inteligência, sensores, conectores e sistemas para favorecer a mobilidade, o transito e a distribuição rápida de informações sobre a dinâmica da cidade, sempre visando a qualidade de vida dos seus moradores e visitantes.

O modelo de educação tradicional vai contra todos esses parâmetros. Reunir estudantes em um mesmo local e dentro de um mesmo horário parece ser exatamente o contrário do que se pretende de uma cidade inteligente.

E um novo conceito em educação vem complicar ainda mais essa situação.Agora não mais se espera que as pessoas estudem durante algum tempo nas suas vidas, normalmente dos 5 aos 25 anos de idade. O Conceito moderno é o de “Lifelong Learning” ou Aprendizado ao longo da vida inteira.

A expectativa de vida da população no mundo inteiro, após séculos de estagnação na faixa de 40 anos de idade, começou a crescer aceleradamente, dobrando nos últimos duzentos anos e continuando a crescer.

Isso significa que, cada vez mais, as pessoas não podem mais se conformar com o que aprenderam naqueles “poucos” anos de estudo. O que impede atualmente uma pessoa aos 50 anos estudar e entrar em uma nova profissão e exerce-la por muitos anos?Ou que alguém que abandonou os estudos aos 15 anos retorne e reforce sua formação?

Mas será crível o retorno dessas pessoas à sala de aula convencional? Conciliar o estudo com o trabalho? Encarar o deslocamento, o transito e os engarrafamentos?

AsTecnologias de Informação e Comunicação (TICs) já permitem e incentivam, cada vez mais, o trabalho e a Educação à Distância (EaD).

Depois de algum tempo de desconfiança em relação a sua qualidade, a EaD ganha rapidamente posição de destaque no mundo todo e especificamente no processo de aprendizagem do brasileiro. Inicialmente pelas universidades e empresas, agora se expande rapidamente pelas plataformas educacionais, cursos livres, vídeos, games, Realidade Virtual e Aumentada, Inteligência Artificial e muitas outras técnicas, compondo um imenso bloco de Tecnologias Educacionais e transformando o ensino e o aprendizado em algo que não depende de local fixo (anyplace), nem de horário rígido (anytime) e nem de alinhamento com o conhecimento dos colegas (no seu próprio ritmo).

A ONU, nos seus objetivos para 2030 destaca:

Certamente isso será impossível com os métodos convencionais de ensino/ aprendizagem.

Considerando apenas os adultos, podemos estimar em cerca de 10 milhões os que tem o Ensino Médio incompleto e em 25 milhões aqueles que completaram mas pararam de estudar. Se somarmos outros 8 milhões que abandonaram o Ensino Superior e mais de 40 milhões com o Fundamental incompleto, teremos mais de 80.000.000 (!) de brasileiros adultos que poderiam se beneficiar de políticas de recuperação de evasão e retomada de estudos pela via à distância.

Precisamos acelerar esse processo de inclusão de Tecnologias no processo educacional. Mas não apenas em salas de aula e não apenas para jovens. Devemos usar o potencial da internet para colocar o conhecimento à disposição dos “aprendentes” e mudar o papel dos professores, transformando-os em curadores de conteúdo e “cutucadores”, incentivando debates (presenciais ou remotos) e exemplos e não simplesmente discursando na frente das turmas.

Enfim, cidades (e países) que se pretendem inteligentes, não podem abrir mão de um sistema de aprendizagem e formação de pessoas, aberto, variado, flexível, permanente e à distância.

*Paulo Barreira Milet é Consultor e empresário nas áreas de Gestão e Educação a Distância, sócio fundador de Aranduland, Diretor  da RIOSOFT e TI RIO e Presidente do Conselho de Educação da ACRJ.

Eles já são habitantes de Aranduland!

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